Professor Sávio Maia avalia os 139 dias de greve

Avaliação levou em consideração o cenário políticos e os avanços conquistados durante a greve

Assessoria de Comunicação

Na última assembleia geral de greve, no dia 15 de outubro, um dos últimos representantes da Adufac enviados à Brasília para participar dos atos do Andes-SN, professor Sávio Maia, fez um breve resumo do que representaram os 139 dias de greve na Universidade Federal e também contextualizou a greve nacional dentro do cenário político atual do país.2015-10-08 15.22.37

Mesmo em meio a um cenário adverso politicamente para a iniciação de uma greve, as bases começaram um processo com uma unidade um pouco enfraquecida, segundo Sávio. Para ele, uma das grandes conquistas desta greve foi a denúncia do desmonte da Educação através da PEC 395.

“Nós somos uma das únicas categorias desse país que saiu para uma greve, numa condição que era de fazer a denúncia da condição do serviço público, de fazer a denúncia do desmonte da universidade pública. É obvio que nós, do Comando Local, sabemos que o modelo de universidade que nós queremos está longe de ser alcançado”, lamentou o professor.

Uma das dificuldades para que a categoria avançasse, foi o diálogo com a própria categoria, que diferente de 2012, não representou uma forte unidade no começo da greve, conta o professor.

“Em 2012, de certa forma, teve uma abrangência de quase 100% das universidades entrando em greve no mesmo período. Esta greve, de 2015, começou com 18 universidades chegando até 51, mas foi uma greve que foi se construindo um processo. Não foi uma greve que nós entramos com uma determinada unidade”, explica Maia.

Para Sávio, durante a greve a categoria passou a discutir mais sobre suas próprias condições de trabalho e também sobre o seu papel em alertar a sociedade para os rumos da educação no país, porém, nestas mesmas discussões, os professores se deram conta que sua força para impedir o avanço, era pequena, apesar da categoria não fugir do enfrentamento.

“Entre nós mesmos, nós vimos que temos uma condição pequena de interferir nesse processo de combater a PEC 395. Nós temos um Congresso do PT ao PSB, defendendo a aprovação porque acreditam na parceria público-privada, simplesmente acreditam mesmo que o que vai garantir um bom financiamento para as universidades são essas parcerias. Nós estamos lidando com um ambiente que é hostil para a nossa categoria, para a manutenção do princípio de que a Universidade Federal deva ser gratuita, portanto, essa nossa greve serviu para denunciar isso”, finaliza.