Catalães resistem à repressão e realizam greve geral nesta terça

O referendo pela independência da Catalunha, considerado ilegal pelo Tribunal Constitucional da Espanha, realizado neste domingo, 1º de outubro, teve cerca de 90 locais de votação fechados. Nas ruas, centenas de manifestantes feridos, vários detidos e muitos impedidos de votar.

Ainda que sob forte repressão e impedimento de acesso a muitos locais de votação, segundo a Generalitat, o governo catalão, a consulta contou com 96% dos locais abertos. Nesta terça (3), os trabalhadores convocaram uma Greve Geral. Há quase um mês, o povo catalão tem ido às ruas reivindicando plebiscito para a independência da região. 

A população tem sofrido com operações truculentas do governo e da polícia do Estado espanhol. A apreensão de cédulas e prisão de ativistas, mobilizados na realização do referendo, semanas atrás já revelava que o dia de votação seria um momento tenso e de graves violações à democracia e aos direitos humanos.

O sistema de censo da votação chegou a ser derrubado pelo governo espanhol, e em determinadas escolas foi necessário anotar a mão o número do documento dos eleitores que conseguiam chegar às urnas.

A Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT ), que integra a Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas (RSISL), publicou nota em que denuncia o Estado e sua atitude ditatorial, e se coloca ao lado do povo catalão, que deve ter assegurado o direito de decidir pela independência. A central também reforça o chamado pela Greve Geral deste dia 3.

“Os ataques totalmente desproporcionais desses policiais contra a população demonstram claramente o habitual papel repressivo a serviço de qualquer Estado e comprometem seriamente a convivência, a segurança das pessoas e as liberdades básicas de todos”, alerta a CGT, na nota.

A União Sindical Solidaires, central sindical francesa que também compõe a RSISL, expressou apoio ao povo catalão e defendeu, em manifestação pública, o direito pela autodeterminação dos povos, destacando ainda o chamado à Greve.  “Após a morte do ditador Franco, a sociedade espanhola continua unida por meio de um pacto realizado entre diversas forças políticas e sindicais. Seu objetivo é manter de um lado a monarquia e de outro a ‘unidade insolúvel da Nação espanhola, pátria comum e indivisível’”.

A Greve Geral na Catalunha já conta com a confirmação de algumas categorias como os trabalhadores do metrô e motoristas de ônibus. O time do Barcelona também aderiu à greve, assim como os times Espanyol e Girona.

As organizações sindicais que chamam a greve são a CGT, IAC, Intersindical-CSC, COS, COBAS, CNT, SO. As organizações CCOO e UGT criticaram os “excessos” no uso da força nodomingo, mas não apoiam a greve: “Em nenhum caso subscreveremos posições que deem cobertura à declaração unilateral de independência”, declararam.

A CSP-Conlutas expressa total solidariedade ao povo catalão em luta pelo direito de autodeterminação. “Repudiamos a atitude da monarquia espanhola e do estado espanhol, que quer impedir esse livre direito da população. Defendemos o direito da realização do plebiscito para que os catalães decidam o futuro sem a intervenção da monarquia e do estado espanhol”, afirma Fabio Bosco, do Setorial Internacional da CSP-Conlutas.

* com edição do ANDES-SN

 

Fonte: CSP-Conlutas

This article was written by Ascom