Docentes da Ufop sofrem perseguição política ideológica

A Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) foi notificada, no dia 30 de outubro, pela Polícia Federal sobre a abertura de um inquérito policial federal contra os docentes André Luiz Mayer e o ex-reitor da Ufop, Marcone J. Sousa. Eles estão sendo investigados por “desobedecer” uma decisão judicial de 2013 suspendendo as atividades do programa de extensão Centro de Difusão do Comunismo (CDC-Ufop) – que contava com dois projetos e dois grupos de estudo, debate e crítica à ordem do Capital. Os docentes foram intimados a prestarem depoimento, no dia 29 de novembro, em Belo Horizonte (MG). 

Um dos projetos do Centro era o Núcleo de Estudos Marxistas – Liga dos Comunistas -, coordenado pelo André Luiz Mayer, atual presidente da Associação dos Docentes da Ufop (Adufop-Seção Sindical do ANDES-SN). Após a decisão judicial de 2013, o CDC suspendeu as suas atividades, entretanto, a Liga dos Comunistas manteve os trabalhos por ser vinculado ao diretório do Grupo de Pesquisas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

A abertura do inquérito foi solicitada pelo Ministério Público Federal (MPF) em maio deste ano, após uma denúncia anônima sobre a “continuidade das atividades” do Núcleo de Estudos Marxistas.

De acordo com André Luiz Mayer, o inquérito é fruto de uma perseguição política e ideológica, parte de uma política ampla, relacionada às ideias de projetos como o “Escola Sem Partido”. “Esse não é um caso isolado. Está havendo um conjunto de ações que visam perseguir grupos que tencionem o estado das coisas. É uma perseguição política e ideológica”, critica.

Segundo o docente, a defesa tem sido articulada em duas frentes, a jurídica e a política. “Em meio a esse processo fomos recebendo uma série de denúncias de perseguição política dentro da universidade, que não tinham vindo à tona porque ainda não chegaram a um inquérito”, completa André. O docente articula para que os apoiadores da liberdade de cátedra estejam presentes no depoimento, em Belo Horizonte, para demonstrar solidariedade.

Casos semelhantes de perseguição judicial e policial vêm acontecendo contra outros docentes, técnico-administrativos e estudantes em razão da militância política e social em defesa da universidade pública e do direito de organização desses segmentos que compõem a comunidade universitária. Recentemente, os docentes da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) foram vítimas de processos administrativos que investigam a “conduta” deles durante a ocupação estudantil no prédio da UTFPR em 2016, contra o desmonte das políticas públicas educacionais, entre elas, a contrarreforma do Ensino Médio e, na época, a “PEC do Teto dos Gastos” – Emenda Constitucional 95/16.

Moção de repúdio

O ANDES-SN publicou uma moção em repúdio a casos como esses, que tem por finalidade “perseguir trabalhadores ou estudantes e enfraquecer a luta por uma sociedade justa, privilegiando assim, os interesses do capital de contenção dessa luta”.

“Expressamos nossa solidariedade e nosso apoio ao professor André Mayer e a todo(a)s militantes que não se intimidam e se mantém, junto com os movimentos sociais, entidades classistas e movimento estudantil, na luta intransigente pela educação pública, gratuita, laica, socialmente referenciada e de qualidade”, diz a nota.

A reitoria da Ufop também declarou seu repúdio ao inquérito e o apoio aos docentes investigados.

Sobre o Núcleo

O Núcleo de Estudos Marxistas é registrado no Diretório dos Grupos de Pesquisa CNPq desde 2009. O núcleo é aberto a toda comunidade acadêmica, realizando encontros quinzenais para leitura e debate de textos da teoria social de Marx sobre o Capital na cena contemporânea e sobre o comunismo, além de incentivar a investigação científica (pesquisa), a produção de artigos e a divulgação em eventos e revistas.

 

Fonte: ANDES-SN