Fórum Nacional em Defesa da Embrapa Pública e Democrática é criado em Campinas

Manifesto será lançado durante Fórum Social Mundial

A cidade de Campinas (SP) recebeu, no dia 23 de fevereiro, o evento “Fórum Nacional em Defesa da Embrapa Pública”. O evento reuniu cerca de cem pessoas e deliberou pela criação de um fórum permanente, que passa a se chamar Fórum Nacional em Defesa da Embrapa Pública e Democrática. Um manifesto será lançado durante o Fórum Social Mundial, que acontecerá em Salvador (BA) no mês de março.

O evento foi organizado pela Seção Sindical Campinas e Jaguariúna (SSCJ) do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (Sinpaf), em parceria com o Movimento pela Ciência e Tecnologia Pública (MCTP) e Associação de Docentes da Unicamp (Adunicamp – Seção Sindical do ANDES-SN), e contou com o apoio de 22 seções sindicais do Sinpaf.

Mário Artemio Urchei, presidente da SSCJ do Sinpaf, ressalta que o evento foi realizado em momento bastante difícil do país, em uma conjuntura de retrocessos democráticos, políticos, econômicos e de mudança da visão do Estado público brasileiro. “O governo está priorizando o Estado como servidor dos interesses privados. Essa onda de desestruturação das empresas públicas está acontecendo rapidamente e a Embrapa está imersa nesse processo”, afirma.

“Temos retrocessos em benefícios dos trabalhadores da empresa, cortes de orçamento para pesquisa. O objetivo do governo federal é colocar a Embrapa a serviço das empresas transnacionais do sistema agroalimentar”, completa Mário. “Essa discussão está relacionada com o Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação, que chamamos de Marco Imoral. A Embrapa está se reestruturando para se adequar à lógica do marco. Está criando um braço comercial por meio de uma empresa de sociedade anônima chamada Embrapa TEC para servir aos interesses do capital privado, captando recursos do setor privado e colocá-los em pesquisa de interesse desse capital privado”, afirma o presidente da SSCJ do Sinpaf.

A perspectiva do evento era de contrapor essa ideia de Estado, lutar por uma Embrapa pública que sirva aos interesses da sociedade plural brasileira. “Hoje ela serve hegemonicamente os interesses das grandes empresas. Lutamos para que a Embrapa trabalhe para a agricultura familiar, para as comunidades indígenas, para os quilombolas, ribeirinhos, etc. São segmentos da sociedade que demandam pesquisa pública”, conclui Mário Artemio Urchei.

 

Fonte: ANDES-SN