Marielle, vive! Em memória de vereadora assassinada e sua luta, novos atos são marcados

Milhares de pessoas marcharam pelas ruas do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, neste domingo (18), em mais um grito de resistência e luta frente ao assassinato da vereadora Marielle (PSOL) e seu motorista Anderson Pedro Gomes.

Passeata na Maré, RJ

 

Na região de origem da vereadora assassinada a tiros no último dia 14, manifestantes tomaram as pistas da Linha Amarela e Avenida Brasil, dando sequência aos protestos que ocorrem desde que o crime foi cometido na semana passada.

 

A comoção e a indignação são sentimentos presentes nos protestos, que exigem justiça e punição aos envolvidos, mas os manifestantes levantam também bandeiras contra a militarização, o genocídio do povo negro e pela vida das mulheres.

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Nota da CSP-Conlutas em repúdio aos assassinatos de Marielle e Anderson

 

Vários protestos estão agendados para os próximos dias no Brasil e outros países.

 

No Rio de Janeiro, um ato político está marcado para esta terça-feira (20), às 17h, na Candelária, que terminará com um ato inter-religioso, a partir das 19h, na Cinelândia.

 

Em São Paulo, a manifestação está marcada para as 17 horas, no Vão do Masp.

 

Na quarta (21), a Adusp (Associação dos Docentes da USP), também agendou um ato público às 17 horas, no Largo São Francisco. O evento está sendo organizado e convocado por várias entidades, entre as quais, a CSP-Conlutas.

 

 

 

Em Brasília, haverá ato nesta terça (20), às 17h30, na Rodoviária. No Paraná o ato será na Câmara Municipal de Paranaguá, a partir das 18 horas.

 

Há atos também marcados fora do país. Há manifestações agendadas em Portugal, Austrália, Peru e Espanha.

 

Neste domingo, em Toronto (Canadá), centenas de pessoas se reuniram no Nathan Phillips Square e aos gritos de “Marielle, presente” realizaram uma ação.

 

 

 

Campanha de calúnias

As investigações sobre o caso seguem e os indícios apontam para um crime político, com envolvimento de policiais corruptos e milicianos.

 

As constantes críticas feitas por Marielle aos abusos cometidos por policiais, em especial do 41º Batalhão de Acari, conhecido como Batalhão da Morte, levam à possibilidade de que sua morte tenha sido encomendada por milicianos ou policiais militares corruptos. Marielle também havia assumido há duas semanas a relatoria de uma Comissão na Câmara Municipal para acompanhar a intervenção militar no Rio, da qual era crítica.

 

Já se descobriu que os 13 tiros disparados contra o carro onde estava a vereadora foram direcionados a ela, atingindo indiretamente o motorista.  A munição pertencia a um lote vendido para a Polícia Federal de Brasília em 2006 e é a mesma de parte da munição utilizada na maior chacina do estado de São Paulo, em 2015.

 

Em mensagens publicadas no Facebook e no Twitter e áudios enviados pelo aplicativo Whatsapp, setores da direita têm divulgado informações – sem nenhuma comprovação – de que Marielle teria ligação com o crime organizado e que sua morte estaria relacionada a esse envolvimento.

 

A tese foi reproduzida por uma desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) em uma postagem no Facebook. “A questão é que a tal Marielle não era apenas uma ‘lutadora’; ela estava engajada com bandidos! Foi eleita pelo Comando Vermelho e descumpriu ‘compromissos’ assumidos com seus apoiadores”, escreveu a juíza Marília Castro Neves, que será alvo de um processo na CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

 

As acusações são totalmente falsas. O site Aos Fatos, que se dedica a investigar e checar informações, contradiz as informações contra a vereadora. Marielle não foi casada com o traficante Marcinho VP e não foi eleita com apoio do Comando Vermelho. Mentem ainda quando dizem que a vereadora defendia bandidos. Ao contrário. Na luta em defesa dos direitos humanos, Marielle agiu em defesa, inclusive, da família de policiais mortos.

 

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FONTE: CSP-Conlutas