Fusão da Agricultura e Ambiente em governo Bolsonaro servirá para atender aos interesses do agronegócio

O anúncio de fusão dos ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente reafirma que o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) pretende atender aos interesses econômicos do agronegócio nacional e estrangeiro, entre outros pontos absurdos, permitindo a venda de grandes extensões de terras brasileiras ao capital estrangeiro.

Os especialistas do Observatório do Clima Raoni Rajão e Caolos Rittl denunciaram no início do ano em artigo no O Valor (20/02) que o agronegócio é um dos setores que mais alimenta a corrupção no Brasil para garantir seus interesses. Em 2014, somente a JBS pagou mais de R$ 600 milhões pagos em propina a políticos.

É um dos setores que mais explora os trabalhadores por meios de baixos salários e péssimas condições de trabalho – jornadas excessivas, pagamento por produção, falta de vínculo empregatício, entre outros. Os trabalhadores rurais estão expostos a graves riscos de saúde devido ao contato com agrotóxicos, pesticidas e as jornadas de trabalho extenuantes em condições precárias. Mesmo assim, devem perder aposentadoria especial caso seja aprovada a Reforma da Previdência.

As monoculturas de soja, laranja, cana de açúcar; as mineradoras, os pastos de gado e a extração ilegal de madeira sufocam e destroem a produção de pequenos produtores e a agricultura familiar de norte a sul do país.

É também o agronegócio que torna o Brasil recordista mundial em violência no campo com 65 assassinatos apenas em 2017, segundo a Comissão Pastoral da Terra. Além dos assassinatos, ações criminosas são cometidas sem nenhuma punição. Por exemplo, na noite de terça-feira última (30), o acampamento do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) Comuna Irmã Dorothy, localizado em Tamboril (CE), foi incendiado. Assim como foram incendiados uma escola e um PSF (Posto de Saúde da Família) da aldeia Bem Querer de Baixo, localizada no município de Jatobá (PE), na madrugada de segunda-feira (29).

Essas ações são sustentadas por declarações de campanha de Bolsonaro que já havia propagandeado que, se eleito, não cederia “nem um centímetro a mais” para a demarcação dos territórios dos povos originários, em clara demonstração de que teria um lado caso assumisse a presidência.

Além disso, o setor é uma ameaça ao meio ambiente. “O agronegócio brasileiro é uma ameaça. Somos o país que mais desmata no planeta – 6.600 quilômetros quadrados na Amazônia só no ano passado, e 50% mais do que isso no cerrado”, afirmam Rajão e Rittl.

Assim, o anúncio da fusão dos ministérios levou ambientalistas a denunciarem como um desastre a decisão.

Com toda razão, a Amazônia está ameaçada. Além da venda para o capital estrangeiro, Bolsonaro já levantou a possibilidade de retomar os estudos para a construção de usinas hidrelétricas na região, o que envolve a construção de barragens com forte impacto nos cursos de água, forçando o deslocamento das populações locais e destruição de fauna e flora nativas. Cena já vistas com a construção de Belo Monte.

“As lutas serão muitas diante das políticas do presidente eleito e essa política para o campo é uma expressão disso, serão necessárias forte organização e lutas para barrar esses projetos nefastos”, salienta o advogado da CSP-Conlutas Waldemir Soares Junior que atua na defesa de trabalhadores rurais.

Em tempo: A fusão dos ministérios foi anunciada pelo deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS), já indicado para Casa Civil. Lorenzoni  é defensor da flexibilização do Estatuto do Desarmamento, da redução da maioridade penal, contra as cotas raciais e a favor de projetos ligados à pauta ruralistas.

Via: CSP-Conlutas.